A oratória do desastre: como a comunicação influenciou o recorde de rejeição no BBB?

Olá, Speaker!

Comunicação e imagem pessoal estão intimamente ligadas. Um bom exemplo disso tem sido o Big Brother Brasil 2021, já que alguns participantes vêm sendo criticados por sua oratória no programa.

Não importa se você assiste ou não ao BBB, se ama ou odeia reality shows. Aqui, nos interessa a oratória e o quanto a maneira como alguém se expressa pode influenciar na percepção das pessoas ao seu redor.

Uma participante que utiliza palavras excessivamente técnicas. Outra que “trava” nas dinâmicas ao vivo do programa. Uma drástica alteração de imagem após recorde de rejeição.

Esses são casos que geram discussões muito ricas quanto à comunicação e à oratória. Veja a seguir!

Falar simples x Falar bem: o caso de Lumena

O termo “Lumena language” viralizou após a participação da psicóloga no BBB 21. A razão? O uso de palavras e expressões que estão muito distantes da linguagem coloquial, isto é, a que as pessoas costumam usar no dia a dia.

Ao falar de sua relação com outra participante, Lumena disse: “Não consigo identificar, nos meus itinerários com ela, jornadas que, de fato, transcendam a mediocridade”. Essa foi uma das suas frases que mais repercutiram aqui fora.

Expressões como “autocentramento” (ao invés de egoísmo) ou “preterimento” (no lugar de desprezo) também foram muito usadas por Lumena, além de uma série de outras palavras acadêmicas.

O debate aqui é: falar difícil, preferindo frases e expressões acadêmicas ou de nicho, é falar bem? Na verdade, não. Adaptar a própria oratória e conseguir se expressar de uma forma acessível é o grande desafio, é o novo falar bem.

Ainda assim, muitas pessoas acreditam que o uso de uma linguagem “difícil” pode fazer com que sejam percebidas com maior autoridade. O BBB mostrou o contrário: além de gerar antipatia, dificulta o diálogo com os demais.

Travar em dinâmicas ao vivo: a oratória de Thaís

Thaís, por sua vez, não usa academicismos como a Lumena, mas também tem sido criticada pela forma como se comunica, especialmente nas dinâmicas ao vivo ou situações nas quais os participantes precisam fazer um discurso.

Todas as segundas-feiras, no programa, acontece o chamado “Jogo da Discórdia”. O apresentador, Tiago Leifert, faz uma pergunta (geralmente picante) e todos os “brothers” e “sisters” têm um tempo para responderem, para se expressarem.

É exatamente nesses jogos que Thaís vem mostrando problemas em sua oratória:

– Pouca organização de raciocínio

– Dificuldades para terminar frases e concluir ideias

– Pouca capacidade de improvisação

– Vícios de fala, como repetição excessiva de palavras e expressões

As críticas à comunicação da dentista foram muitas, o que levou a um desabafo em suas redes sociais, feito pela equipe que cuida do seu perfil oficial. No tal desabafo, há uma pergunta: quem nunca sentiu medo de falar em público?

O tema também foi discutido entre a participante e outro “brother”, colocando em pauta o medo de encarar situações de exposição de fala, tão comum aqui no Brasil. Esse medo limita (e muito) a capacidade de se expressar, defender ideias, persuadir.

O programa é assistido por milhões de pessoas em todo o país. Mas o medo de Thaís não acontece só com quem é vigiado por participantes de reality: está nas reuniões, apresentações, entrevistas, defesas, arguições e tantos outros momentos da vida real.

Rejeição e mudanças na sua imagem: a estratégia de Carol Conká

Mesmo se você não acompanha o BBB 21, é provável que tenha escutado este nome: Karol Conká. A rapper fez história no programa, mas não por um motivo agradável. Ela foi eliminada com um recorde histórico de rejeição: 99,17% dos votos.

Karol não usava uma linguagem academicista, como Lumena. Também não parecia ter dificuldades nas dinâmicas ao vivo, como Thaís. Por que, então, o seu caso é interessante, quanto à comunicação?

Quem lida com gerenciamento de crises sabe que é preciso agir rápido, principalmente quando se trata de uma figura pública. A equipe de Karol assim o fez: ela passou por uma transição de imagem significativa após sair do programa.

Assista a um vídeo de Conká na casa (ou no dia da eliminação) e outro após a sua saída do BBB. Perceba as diferenças na dinâmica não-falada: a cor da roupa, a maquiagem, a postura.

Repare, ainda, no uso da voz. Depois de deixar a casa, Conká utiliza um tom de voz ameno, faz pausas, adota um ritmo de fala mais lento. Tudo isso tem a ver com a imagem pessoal e com o quanto ela está ligada à comunicação.

O que aprender com os cases do BBB 21?

Quando entraram na “casa mais vigiada do país”, Lumena, Thaís e Karol provavelmente sabiam que seriam avaliadas (e julgadas) por tudo, incluindo, claro, a forma como se comunicam e se expressam.

Mas esse não é um “privilégio” de participantes do BBB. Todos nós, em maior ou menor proporção, somos avaliados e julgados por nossa comunicação, nossa oratória – seja no ambiente profissional ou no dia a dia pessoal.

Nas reuniões que fazemos parte, nas entrevistas para uma vaga, em negociações com clientes, quando recebemos ou damos um feedback, em discussões sobre temas cotidianos: nossa oratória é percebida e julgada.

Saber adaptar a linguagem, superar o medo de falar em público e, ainda, garantir que a imagem que transmitimos através da nossa dinâmica não-falada seja aquela que desejamos são ações centrais. Isso se evidenciou, ainda mais, neste BBB.

Talvez falar em “oratória do desastre” seja excessivamente duro, afinal, a oratória de Lumena, Thaís e Karol, assim como a de todos nós, é algo que muda, se adapta e progride. Na comunicação, nada é engessado, tudo é dinâmico e mutável.

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