As mulheres e a oratória

Por que é mais fácil encontrar oradores e palestrantes homens?

Speakers, hoje pediremos licença para falar sobre um assunto que pouco tratamos… Por que é muito mais fácil encontrar oradores e palestrantes homens do que mulheres?

Vamos analisar esta questão em profundidade tentando olhar sobre diferentes aspectos.

 Geralmente as mulheres têm mais facilidade em falar do que homens.

Digo isso com conhecimento de causa. Trabalhar como fonoaudióloga em um consultório por 11 anos me deu toda a bagagem para dizer que cerca de 90% dos pacientes que procuram o serviço de um fonoaudiólogo são homens. Quando falamos de Fonoaudiologia infantil esse número deve subir para 95%.

Tenho minha própria interpretação para este fenômeno: meninas desde crianças são incentivadas a dizerem o que elas sentem. Enquanto as meninas se deparam com situações do tipo: “Por que você está chorando, filha? Senta aqui e me conta o que aconteceu…”, os meninos, por sua vez, aprendem coisas do tipo “homem não chora”, “engole o choro menino”, “por que você não bateu nele de volta?”

Talvez, por esta razão, vemos tantos meninos desde novinhos com diversos problemas de fala.

Se fôssemos analisar sob este aspecto, deveríamos ter muito mais palestrantes mulheres do que homens. Sabemos que mulheres conversam mais entre si, se abrem entre as amigas e se expressam com maior facilidade (de maneira geral). Então por que quando falamos em discursos famosos a representatividade é tão pequena?

Historicamente, as mulheres têm menos poder.

Não é novidade para ninguém que os direitos femininos foram conquistados tardiamente. Demorou mais tempo para conseguirmos votar, poder trabalhar, expressarmos nossas ideias e conquistarmos o mercado de trabalho. Enquanto estávamos lutando para conseguir estas coisas, diversos homens já estavam por aí fazendo vários discursos que marcaram a história…

Existem menor número de mulheres em altos cargos gerenciais do que homens.

Dados de: http://www.catalyst.org/knowledge/statistical-overview-women-workforce

  • 16% dos CEOs na Australia são mulheres, e somente 1 em 4 empresas possuem mulheres em altos cargos gerenciais

 

  • Mulheres recebem em média 77% do valor salarial de um homem em uma mesma função

Esses são alguns elementos que podem nos ajudar a entender porque é difícil encontrar mulheres que proclamaram bons discursos ou mesmo, discursos que marcaram a história.

Sabemos, no entanto, que com o movimento de empoderamento feminino, há uma busca cada vez maior das empresas e organizadores de eventos por mulheres com histórias de vidas interessantes. O que penso é que tantas de nós precisaram superar preconceitos e desafios para conseguirmos uma posição de destaque, que deveríamos sim, conseguir contar nossa história de modo a mostrar de onde viemos e onde chegamos.

Então quais os desafios que as mulheres enfrentam para se tornarem boas oradoras ou palestrantes?

O mesmo desafio que os homens, caro Speaker. Na verdade, quando falamos sobre “falar em público” os medos são sempre os mesmos, seja você homem ou mulher:

“E se eu esquecer o que eu preciso dizer?”

Esse medo é um dos mais comuns. Medo do branco acaba aterrorizando pessoas que começam a criar imagens mentais de como seria a situação de esquecer totalmente o que estavam dizendo em uma apresentação diante de um grande público.

“Será que vão perceber meu nervosismo?”

Cada pessoa apresenta sintomas da descarga de adrenalina de um jeito. Existem pessoas que acabam deixando transparecer um pouco mais o nervosismo. São aquelas que ficam vermelhas, ou tremem o corpo, ou ainda perdem a voz. Essas pessoas são as que ficam mais preocupadas com a questão do público perceber seu nervosismo.

“E se me acharem chata ou desinteressante?”

Mais um exemplo que nos mostra que na verdade o grande medo de quem fala em público é mesmo o que as pessoas irão pensar a seu respeito. O medo do desinteresse é algo que tira o sono de muitos palestrantes. E é por esta razão que cometem um dos grandes erros de um orador iniciante: não olhar nos olhos de seu público. Muitos acham que focar num ponto fixo ao final da sala seja a melhor solução para evitar esse sentimento de reprovação. Leia aqui o texto que escrevemos sobre este assunto.

“Eu não deveria estar aqui.”

Essa é a famosa “síndrome do impostor”, tão bem descrito por Amy Cuddy no seu livro chamado “O Poder da Presença”.  A síndrome do impostor nada mais é do que aquele sentimento de que não somos merecedores de estarmos onde estamos. Para isso, nossa mente atua criando várias justificativas para nosso sucesso, entre elas uma “sequência de sorte” que nos fez chegar aonde estamos.

Esse sentimento é muito mais comum do que as pessoas imaginam. Quando pedimos para algum portador desta síndrome fazer uma apresentação sobre sua história, é comum vemos desculpas esfarrapadas que nada mais são do que uma tentativa de “não ser descoberto”.

Bom Speakers, a conclusão deste texto é que o fato de termos poucas mulheres oradoras ou palestrantes em nada tem a ver com inabilidade das mulheres de se comunicar ou com o fato das mulheres terem histórias menos interessantes ou qualquer outra coisa que justifique esse fenômeno. O que pudemos concluir é que demorou tanto para as mulheres poderem se expressar, e que o número de mulheres no poder ainda é tão menor que o de homens, que parece um pouco natural que tenhamos menor representatividade quando falamos em palestras e discursos femininos.

Aproveitamos a oportunidade para esclarecer que a The Speaker é um apoiadora do empoderamento feminino. Acreditamos que a comunicação é a melhor ferramenta para que as pessoas consigam chegar ao poder, e mais, manterem-se lá!

Empoderamento feminino precisa da comunicação como instrumento

Convidamos vocês mulheres a buscarem conhecimento sobre comunicação e oratória para que possamos ter maior representatividade nesta área. Para que possamos mostrar ao mundo nossas histórias, nossas lutas! E que possamos expressar nossas ideias e opiniões com a mesma assertividade que os homens. Que em um futuro próximo não haja essa disparidade, e que as mulheres possam também comunicar para as pessoas suas ideias e sonhos.

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