Técnicas de oratória: quais ainda são válidas e quais já estão ultrapassadas?

Speaker, você sabe qual é um dos maiores erros quanto à comunicação? É pensar que ela é estática, engessada, que nunca muda.

A comunicação é cultural, é uma manifestação viva, mutável, adaptável. Quando nós vamos mudando, quando nossos costumes passam a ser outros, isso também influencia na maneira como nos comunicamos uns com os outros.

Pense, por exemplo, no impacto do digital e das redes sociais especificamente: o quanto isso alterou a forma como você se comunica? Até bem pouco tempo atrás, era inimaginável pensar que nos falaríamos TANTO por mensagens de texto, por exemplo.

Por tudo isso, é importante saber quais técnicas de comunicação e oratória são válidas e quais já estão ultrapassadas. É esse o tema da nossa conversa de hoje.

Vamos lá?

Técnicas de oratória: quais já estão ultrapassadas?

Primeiro, vamos analisar quais técnicas já ficaram no passado, mesmo que muitas pessoas ainda insistam em atribuir a elas um valor que já deixaram de ter. São elas:

– Falar bem é falar difícil

Por algum tempo, havia a técnica de “rebuscar” uma fala. “Como assim, Livia?” Era basicamente isso: utilizar palavras e expressões que quase nunca usamos oralmente, no nosso dia a dia.

Esse uso de “palavras difíceis” era considerado uma maneira de ter mais autoridade em um determinado assunto. O pensamento era mais ou menos assim: “Quanto mais difícil eu falar, quanto menos acessível for a minha fala, mais autoridade eu terei”.

Acontece, meus caros Speakers, que falar simples é o novo falar bem. Se você pensar nos discursos considerados os mais inspiradores da história, verá que são simples, acessíveis, mesmo quando abordam temas complexos.

A capacidade de tornar algo complexo, simples é uma das mais difíceis e mais importantes na comunicação.

– Para falar bem, é preciso falar muito

Outra mudança impactante que vivemos nos últimos tempos é a agilidade nas nossas relações e na maneira como consumimos informação. As redes sociais, por exemplo, se baseiam em textos curtos, vídeos curtos, imagens.

Nós queremos ter acesso a informações e conteúdos de qualidade elevada, mas temos pressa para isso. Essa mudança, esse ritmo acelerado, também impactam a comunicação do dia a dia e a comunicação em situações de exposição.

Antes, discursos longos e reuniões longas eram comuns, eram mais aceitáveis que hoje. Agora, não. Agora, a assertividade é a palavra de ordem. Ir direto ao ponto, priorizar informações e opiniões, filtrar aquilo que não é relevante.

A comunicação de agora é ágil, dinâmica. E precisamos nos adaptar a ela, especialmente em apresentações, quando temos a palavra e estamos em maior evidência.

– Slides como muleta

Os slides são outros itens que vêm mudando. Muitos comunicadores já não usam esse recurso, outros o utilizam e uma maneira BEM distinta ao que era antigamente. Por algum tempo, os slides eram “muletas” de apresentações.

Neles, estava todo o conteúdo da fala. Em alguns casos, os slides eram lidos (o que é um grande erro). Grandes blocos de textos eram recorrentemente usados e expostos em slides.

Essa técnica é completamente obsoleta. Os slides, agora, não são mais os protagonistas. Neles, devem ir palavras-chave ou imagens. Eles não podem desviar a atenção do comunicador e interferir no contato visual que mantém com o público.

Se você for utilizar slides, diminua a quantidade de textos. Use imagens. Gráficos. Lembre-se que eles não são o suporte, nem a muleta da sua fala.

Técnicas de oratória: quais ainda são válidas?

Agora que já vimos técnicas obsoletas, também é importante retomar algumas técnicas tradicionais e que ainda são válidas para a nossa comunicação atualmente. São elas:

– Dominar a linguagem corporal

A importância da linguagem corporal é conhecida desde muito tempo. Afinal, antes de nos comunicarmos através de palavras, era a esse tipo de expressão (a não verbal) que recorríamos.

Técnicas para usar os gestos de maneira equilibrada, técnicas para saber para onde se deve olhar durante a fala, para se posicionar no palco e manter uma boa postura ainda são mais que válidas: são essenciais.

– Saber usar a voz como um instrumento

A outra expressão, a vocal, também é algo indispensável na comunicação e na oratória. Mesmo depois de tantas mudanças, isso permanece inalterado. E mais: hoje, já sabemos que a voz é um instrumento e, a cada dia, temos mais informação sobre isso.

Cuidar da voz. Variar o tom de fala. Encontrar uma velocidade e um ritmo de fala confortáveis. Definir um volume equilibrado. Todos esses são cuidados que devemos ter e que são muito válidos para a nossa comunicação.

– Contar histórias

Contar histórias não é, de nenhuma forma, algo novo. Aliás, para muitos, um dos traços que nos diferencia das outras espécies é, justamente, essa capacidade criativa, a memória, a possibilidade de transmitir narrativas – tanto de forma oral quanto escrita.

Na oratória especificamente, a técnica de contar histórias é imprescindível. Aqui, o contar histórias significa transformar um determinado conteúdo em uma narrativa bem organizada e que se conecte à audiência de alguma forma.

O storytelling, como é chamada, pode ser adaptado a diversos tipos de fala e, por essas e outras razões, está na nossa lista de técnicas válidas, essenciais.

 

Compreender que a maneira como as pessoas se comunicam vem mudando dia após dia nos dá a responsabilidade de aprimorarmos nossas competências constantemente.

Uma pessoa que fez um curso de oratória há dez anos provavelmente aprendeu técnicas que, hoje, já não são utilizadas ou que já sofreram adaptações bastante significativas.

É importante, portanto, autorrefletir sobre o modo como você tem se comunicado: ele está condizente com a dinâmica contemporânea? Ou já esta obsoleto?

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