Os melhores discursos da história – Parte 2

Speaker! Tudo bem?

Um bom discurso é capaz de permanecer na história. Não importa quanto tempo passe, há falas que se eternizam – por diferentes motivos.

A Revista Times se dedica a escolher “melhores de todos os tempos”: livros, filmes, músicas e… discursos.

Já falei sobre alguns deles há algum tempo (Melhores Discursos da História – Parte I) e, na nossa conversa de hoje, analiso outros desses “discursos históricos”, suas técnicas e características principais.

Analisar discursos é uma forma de aprender estratégias e aplicá-las na sua própria comunicação. Então, vem comigo!

“Comecemos de novo” – O otimista discurso de John F Kennedy

Para muitos, o discurso de posse de John F. Kennedy, em 1961, é um dos mais memoráveis da história da comunicação política. Mas o que fez com que essa fala ganhasse tamanha proporção?

A fala de Kennedy foi analisada muitas vezes por especialistas em oratória. Reassisti ao discurso e há algumas características que chamam atenção, ainda hoje, 50 anos depois. Veja:

– O uso da antítese

Repare este trecho da fala de Kennedy: “Simbolizando um fim, como bem um começo”. Percebe, aqui, que duas ideias contrárias estão juntas na mesma frase? Bem, esse é um recurso da comunicação.

Usada em outros discursos, como os de Abraham Lincoln, a antítese pode ter vários efeitos em uma fala. A emotividade, por exemplo. Além disso, está alinhada à técnica de dizer “o que é agora” e o “que poderá ser” – funcional em discursos políticos.

– O uso do “nós”

“Jamais negociemos por medo, mas nunca temamos negociar”. Veja que a frase fala de “nós”. Seria muito diferente dizer “mas nunca temerei negociar”, por exemplo. Adotar essa linguagem gera uma aproximação com a audiência.

É, ainda, uma maneira de fazer com que o público se sinta parte de algo maior, o que, por si só, desperta empatia e ajuda a reter a atenção daqueles que ouvem.

– Fala direta

Uma das frases mais conhecidas desse discurso é: “não pergunte o que este país pode fazer por você, mas o que você pode fazer por este país”. Veja o quão direta é essa frase! O uso do você otimiza a mensagem e também a aproxima do público.

Sem falar, ainda, que é uma frase de efeito, com alto poder de ser repetida e recordada – como, de fato, é até os dias atuais.

Link para assistir ao discurso:

Susan B. Anthony e o voto feminino

Embora não seja tão fácil encontrar vídeos de discursos de Susan B. Anthony, ela também aparece na lista da Revista Times. Certamente, pelo impacto que suas palavras tiveram à época.

As análises feitas sobre a oratória de Susan destacam alguns pontos que, ainda hoje, são imprescindíveis a qualquer comunicador:

– O uso da voz

As informações que circulam em meios especializados – e na própria Revista Times – asseguram que Susan tinha um excelente poder de uso da voz, isto é, sua expressão vocal era excelente.

Destaca-se, principalmente, a capacidade de controlar a voz, especialmente em discussões mais duras com opositores ao voto feminino, que era o tema central de suas falas.

– A repetição

Ao ler trechos de discursos atribuídos a Susan, não é difícil notar que um dos recursos mais usados é a repetição estratégica de palavras. Um bom exemplo é o uso do “nós” neste trecho: “Éramos nós, o povo. Não nós, os cidadãos brancos do sexo masculino”.

Veja um trecho de um discurso de Susan:

“Éramos nós, o povo; não nós, os cidadãos brancos do sexo masculino; nem ainda nós, os cidadãos do sexo masculino; mas nós, todo o povo, que formamos a União. E nós formamos, não para dar bênçãos da liberdade, mas para assegurá-las; não para a metade de nós mesmos, mas para todo o povo – mulheres e homens”.

O que faz com que um discurso seja histórico, afinal?

A lista da Revista Times com os melhores discursos da história ainda traz nomes como Sócrates. Isso nos leva a ver alguns aspectos importantes: um discurso é histórico pelo impacto que traz consigo. Social. Político. Econômico.

No entanto, é muito difícil pensar que uma fala se eternize dessa maneira sem considerar que, além de todo o impacto prático que pode trazer, há, também, características de uma comunicação de alto nível.

A lista da Times se debruçou sobre falas de muitos anos atrás. Se refeita hoje, certamente traria outros discursos, como os de Barack Obama e Steve Jobs, por exemplo.

Esses são comunicadores que usam recursos já consolidados – e que, inclusive, percebemos nas falas de anos atrás, como as de Kennedy. No entanto, esses oradores adaptam estratégias de acordo com as características contemporâneas da oratória.

A razão é simples: a comunicação não é estática. Um discurso que, em 1960, teve uma repercussão enorme provavelmente teria que ser adaptado para ter o mesmo impacto hoje. Porque os tempos são mais acelerados e a oratória é muito mais dinâmica.

Seja como for, é muito interessante o exercício de reparar o que mudou nas falas “históricas” ao longo do tempo. Mais importante ainda, é entender como é a comunicação de grandes oradores contemporâneos e aprender com ela.

Tem alguma dúvida sobre oratória? Fale comigo, Speaker!