Oratória de grandes líderes: o estilo de Nelson Mandela

“Chegou o momento de sarar as feridas.

Chegou o momento de transpor os abismos que nos dividem.

Chegou o momento de construir”.

 

Esse é um trecho de um dos discursos mais famosos da história: o discurso “Uma Nação Arco-Íris”, de Nelson Mandela, quando tomou posse como presidente da África do Sul. Por essa e por tantas outras falas marcantes, Mandela é considerado por muitos especialistas um dos maiores comunicadores conhecidos.

Mas o que faz da oratória de Mandela algo tão poderoso?

Os grandes speakers, como Obama, Martin Luther King, Steve Jobs e o próprio Mandela, utilizam uma série de ferramentas e recursos em suas falas. Essas estratégias podem (e devem) servir de inspiração para todos aqueles que querem aperfeiçoar a forma como se comunicam.

Vejamos, então, algumas das características da oratória de Mandela:

Repetição

A repetição é uma das marcas registradas da oratória de Mandela. Esse recurso cumpre uma variedade de papeis, como, por exemplo:

  1. Ressaltar uma ideia
  2. Organizar o raciocínio
  3. Aumentar a emotividade em um determinado trecho

Se bem é verdade que, na escrita, a repetição pode ser um problema, na linguagem falada, ela é imprescindível. Em seu discurso de posse como presidente, Mandela utilizou a repetição em vários trechos:

“Que haja justiça para todos.

Que haja paz para todos.

Que haja trabalho, pão, água e sal para todos”.

A repetição, como a do trecho acima, reforça as ideias centrais do discurso e sua argumentação como um todo.

Pausa

A comunicação não é feita apenas de palavras, mas também de silêncios. Esses silêncios – ou “pausas intencionais” – são importantíssimos em quaisquer situações de exposição de fala. Saber utilizá-los é uma maneira de impulsionar discursos, tornando-os muito mais organizados, emotivos e inspiradores.

Em suas falas, Mandela adotava uma particular maneira de utilizar os silêncios, de um jeito natural e sutil, mas potente ao mesmo tempo:

https://www.youtube.com/watch?v=ircG8scNUWg

As pausas são úteis para:

  1. Informar ao público que algo importante está por ser dito
  2. Destacar uma ideia
  3. Aumentar o grau de emotividade em um trecho específico
  4. Dar um tempo para que a audiência assimile uma ideia, antes que outra seja apresentada

Nos discursos de Mandela, as pausas são usadas, principalmente, para ressaltar um trecho ou, ainda, dar emotividade ao que está sendo dito.

O uso do “nós”

A escolha das palavras para transmitir uma mensagem é determinante. Afinal, tão importante quanto o que se diz é a forma como se diz. Em seus discursos, tanto o de posse em 1994 quanto aquele que fez em Harvard em 1998, Mandela usou a primeira pessoa do plural, isto é, o “nós”:

“Nós precisamos lembrar constantemente a nós mesmos que as liberdades que as democracias carregam são conchas vazias, se não acompanhadas de melhorias reais e tangíveis”.

Ao escolher o “nós” em detrimento do “eu”, Mandela aproxima a sua fala do público, criando, assim, uma relação empática entre eles. Aproximar-se da audiência é um requisito central para uma fala inspiradora e os discursos de Mandela são uma prova disso.

O “nós” serve, ainda, como uma estratégia eficiente para causar emoção, além de explicitar – e ressaltar – a figura do comunicador como um líder, como alguém que pensa e representa algo maior: o coletivo. Isso se torna ainda mais explícito em alguns trechos:

“Sabemos muito bem que nenhum de nós pode ser bem-sucedido agindo sozinho.

Portanto, temos que agir em conjunto, como um povo unido”.

 

Uso da voz

A voz é um instrumento, é a ponte entre o comunicador e o seu público. Saber utilizar esse instrumento, tirando dele o melhor possível, é uma habilidade comum aos grandes speakers, como Mandela.

No que se refere à voz, ou melhor, à expressão vocal, uma das marcas de Mandela é a variação do tom de voz. Em seus discursos, ele variava o tom de uma maneira espontânea, dentro de uma mesma frase ou parágrafo.

Variar o tom de voz é uma ferramenta para chamar e, mais que isso, reter a atenção das pessoas. Tons graves e agudos têm, cada um, funções diferentes, ligadas à mensagem que se quer transmitir. De uma forma ou outra, evitar manter-se no mesmo tom é importante em situações de exposição de fala.

Paixão

Falar como um líder significa falar com paixão, defendendo aquilo que realmente acreditamos. A paixão pela sua causa contribuiu fortemente para a oratória de Mandela ser tão inspiradora. As pessoas poderiam até não concordar com seus argumentos, mas era inegável a paixão com que falava.

Muitos acreditam que falar com paixão é algo específico de grandes personagens históricos, como Mandela. Mas a verdade é que isso é algo comum aos bons comunicadores, independentemente do seu nicho ou do propósito de suas argumentações.

O público nota, e sente, se a fala do comunicador é genuína. Ao sentir que é, tem mais confiança e se torna menos resistente a ouvir – e, até mesmo aceitar – os argumentos que chegam até ele.

 

Uma das maneiras de aprimorar a própria comunicação é inspirando-se em grandes speakers, como Mandela, e tentar utilizar suas estratégias para planejar, organizar e transmitir um determinado conteúdo.

Como vimos, Repetição, Pausas Intencionais, Uso do “nós”, Variação do tom de voz e a Paixão para argumentar são algumas características do estilo de Nelson Mandela que podem ser replicadas no dia a dia de comunicadores das mais diversas áreas para impulsionar a maneira com que se expressam. Pense nisso!

 

 

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